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Estudo revela que quase metade dos portugueses tem relações "algumas vezes" por semana

Author: Arthur / Marcadores:

Quase metade dos portugueses (47,6 por cento) referem ter relações sexuais "algumas vezes" por semana, enquanto 7,4 por cento dizem ser uma prática diária ou quase diária, revela o livro 'Sexualidades em Portugal', que será lançado hoje.

Perto de 10 por cento dos inquiridos afirmam que se abstiveram sexualmente no último ano, adianta o livro de Manuel Villaverde Cabral e Pedro Moura Ferreira, que coordenaram o inquérito "Comportamentos Sexuais e a infeção HIV/Sida em Portugal", que decorreu entre 2007 e 2008 a pedido da Coordenação Nacional para a Infecção do HIV/SIDA.

Os coordenadores afirmam que, do ponto de vista da frequência sexual, as mulheres se destacam pelo lado da inatividade, enquanto os homens pela prática mais intensa.

Mais de um terço dos inquiridos (34,1 por cento) assinalam ter tido apenas um único parceiro ao longo da vida. A prevalência feminina é três vezes superior à masculina (52,0 por cento, contra 16,1 por cento).

Já 28,3 por cento dizem que há pelo menos cinco anos têm o mesmo parceiro, enquanto 16,8 por cento referem há menos de um ano.

A categoria dos "multiparceiros atuais tem uma expressão de 15,4 por cento". Os homens estão claramente representados, atingindo uma percentagem três vezes superior às mulheres (respetivamente, 23,6 e 7,2 por cento).

O estudo constata "uma tendência para a diminuição do número de parceiros em função do aumento da idade". Os mais jovens apresentam-se mais propensos para novos relacionamentos sexuais em virtude de não terem vínculos afetivos ou conjugais duradouros.

Por exemplo, na classe de três ou mais parceiros a proporção de homens passa de 26,5 por cento, no grupo de 18-24 anos, para 5,2 por cento, no de 55-65 anos; nas mulheres, os números correspondentes são, respetivamente, de 8,2 e 2,2 por cento.

O estudo inquiriu também os portugueses sobre a "diversificação" da atividade sexual, contemplando quatro práticas: 'fellatio', 'cunnilingus', sexo anal e sexo sem penetração.

A ordenação decrescente das práticas sexuais coloca na primeira posição o sexo sem penetração, com uma prevalência de 69,5 por cento, seguido de muito perto pelo sexo oral, nas aceções de receber e dar, respetivamente, 67,4 e 62,9 por cento, e termina na prática de sexo anal (37,2 por cento).

"Estes números mostram que as práticas não penetrativas e orais estão bastante generalizadas, enquanto o sexo anal não é praticado pela maioria das pessoas, apesar de mais de um terço dos inquiridos admita tê-lo praticado", refere o estudo.

A diversificação das práticas sexuais divide-se nos que rejeitam a experimentação sexual (21,7 por cento), nos que restringem a experimentação a uma ou duas práticas (23,8 por cento) e os que apresentam o 'reportório' mais alargado (54,5 por cento).

As mulheres referem mais vezes do que os homens uma ausência de experimentação (respetivamente, 26,7 e 16,9 por cento), enquanto estes últimos se superiorizam na classe de quatro práticas (36,7, contra 20,8 por cento das mulheres).

Sobre o início da atividade sexual, o estudo adianta que em três décadas a idade média dos homens recuou menos de um ano (de 17,3 para 16,5 anos), o que "contrasta fortemente com a feminina", cuja idade média desceu de 21,2 para 17,2 anos.

Participaram no estudo indivíduos com idades entre 18 e 65 anos residentes em Portugal Continental e foram validados 3643 inquéritos.

HN.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/fim

Afinal não há guerra dos sexos?

Author: Arthur / Marcadores: ,

Os investigadores do cérebro acreditam que a guerra entre os géneros está «ultrapassada» e que ninguém procura encontrar um «sexo forte» mas as diferenças cerebrais entre homens e mulheres ainda geram discordâncias entre os especialistas.

«É inegável que existem diferenças, mas não há guerra de sexos»
«É inegável que existem diferenças entre o cérebro masculino e o feminino» afirmou Manuel Paula Barbosa, director do Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina do Porto, para quem as distinções «vão de aspectos como o peso (o cérebro do homem pesa cerca de 1.450 gramas e o da mulher cerca de 1.350) a variações de índole molecular».
No entanto, o especialista desmistifica a ideia de guerra dos sexos: «Nenhuma investigação actual visa determinar se a mulher é superior ao homem ou o contrário, isso está ultrapassado e caminhamos para a igualdade absoluta, reconhecendo que os cérebros de homens e mulheres se complementam e que as diferenças são salutares».
Mulheres são «corredoras de fundo»
Exemplificando, Manuel Barbosa considerou que «as mulheres são autênticas corredoras de fundo - mais perseverantes e estóicas e com uma enorme capacidade de trabalho, além de possuírem uma memória do imediato muito mais desenvolvida do que os homens».

Homens agem «por pulsões» e «desistem com maior facilidade»
«Já os homens agem mais por pulsões e desistem com maior facilidade dos seus objectivos, embora tenham uma melhor memória espacial e uma grande capacidade ao nível da intuição musical e da matemática», adiantou.

Diferenças condicionadas por hormonas sexuais
De acordo com o também professor de Neuroanatomia é ainda preciso compreender que «essas diferenças assentam em características morfológicas condicionadas por hormonas sexuais».
«Um macho castrado nunca terá um cérebro masculino normal», sublinhou.
A influência hormonal no dimorfismo sexual cerebral foi também assinalada à agência Lusa por Dulce Madeira, professora no Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina do Porto.
Devido à estreita ligação entre o cérebro e as hormonas sexuais, «ao longo dos anos as variações hormonais vão influenciando a morfologia cerebral e a neuroquímica, nomeadamente fazendo com que certas diferenças se tornem menos evidentes», declarou.

Autismo e esquizofrenia predominantes no homem
A investigadora do Centro de Morfologia Experimental destacou ainda que a diferença entre os cérebros masculino e feminino passam por «uma assimetria existente entre os dois hemisférios cerebrais, que é mais acentuada no género masculino».
«Doenças como o autismo e a esquizofrenia, que são predominantes no homem, têm relação com essa maior assimetria», realçou a docente de Anatomia.
«No caso da mulher, há uma maior semelhança entre os dois hemisférios, existindo também uma maior comunicação entre eles, o que faz com que as representantes do sexo feminino tenham maior capacidade de recuperação de acidentes vasculares cerebrais (AVC)».

E o leitor, acha que a ideia de guerra de sexos já foi ultrapassada no século XXI?

Ainda existe um «sexo forte» e um «sexo fraco»?